Pauleta está de visita à comunidade açoriana na Bermuda

Recepção emotiva pelas crianças da Escola Portuguesa

Pedro Pauleta está desde Sexta-feira na Bermuda, ilha que congrega uma vasta comunidade de açorianos. É, como lhe chamam, a décima ilha açoriana. É a etapa que faltava ao mais famoso jogador de futebol dos Açores, no agradecimento ao apoio que lhe foi prestado enquanto praticante, especialmente na selecção portuguesa.

O primeiro impacto na chegada aconteceu ainda no aeroporto. Cerca de 40 crianças, muitas acompanhadas pela família, equipadas com camisolas de Portugal, entoaram o nome de Pauleta, agitaram bandeiras e abraçaram o jogador. A maioria não o viu jogar, mas sabem-no dos seus feitos através do que lhes foi transmitido pelos pais. São crianças da Escola Portuguesa.
Pauleta tem um programa vasto preparado pela Direcção do Vasco da Gama de Hamilton, clube referência dos portugueses. Desde a participação num campo de treinos com 93 crianças, visita à Associação de Futebol da Bermuda, assistir à Pauleta Cup com antigos jogadores açorianos e bermudenses num torneio relâmpago.
Uma das finalidades da visita é a da angariação de fundos para a Escola Portuguesa da Bermuda, que está ligada à Associação Cultural que funciona nas modernas e funcionais instalações do Vasco da Gama. Tem sido uma das principais funções, por forma a que as crianças nascidas nesta antiga colónia britânica não percam a ligação ao país de origem.
No próximo ano comemoraram-se 170 anos da chegada do primeiro emigrante à Bermuda. Neste momento já existe a terceira geração de descendentes de açorianos. São cerca de 25 mil numa população de 65 mil numa ilha que é mais pequena do que Santa Maria. Estão, neste momento, ligados à construção, às limpezas e à jardinagem e já não tantos na hotelaria que está sendo ocupada com mão-de-obra de emigrantes da India, do Bangla Desh e de Goa.
São já vários os empresários da ilha de São Miguel, de onde procede a maioria dos açorianos, que vingaram em várias áreas de negócio na Bermuda. No primeiro encontro com 20 empresários de vários ramos, Pauleta pôde conviver e tomar conhecimento como a longas milhas viveram a carreira na selecção. Alguns, já nascidos aqui, criaram o grupo de apoio Bermuda Ultras. São mais de 50 que já foram assistir ao continente a vários jogos de Portugal e concentram-se num amplo local na Bermuda para assistirem pela televisão. Por vezes chegam a ser 200 ou mais.
Durante o jantar com empresários, foi arrematada pelo empresário José da Silva uma camisola de Pauleta por 2 500 dólares. José da Silva já nasceu na Bermuda, mas os pais são naturais de Rabo de Peixe e das Furnas.
É mais um donativo importante para que a escola possa funcionar. O Governo Regional também comparticipa com uma verba anual para o Escola.

 

In “Correio dos Açores” 24/06/2018