Treinador do Marítimo da Madeira de sub-13 compara futebol das duas ilhas

“Esperava mais capacidade das equipas de São Miguel”

O Marítimo da Madeira esteve em destaque na estreia no Torneio Internacional Pauleta para equipas de sub-12 e de sub-13 anos de futebol de sete. A equipa do Funchal acabou em 4.º lugar, perdendo pela diferença mínima os dois jogos com o Sporting (3-2 na fase de grupos e 3-2 na atribuição dos 3.º e 4.º lugares), ganhou ao Futebol Clube do Porto, por 3-1, sendo a derrota mais desnivelada frente à formação vencedora do torneio, o Paris St. Germain, por 4-0. No único jogo que defrontou uma equipa da ilha de S. Miguel, goleou o Santa Clara por 7-2, embora a formação campeã micaelense tenha apresentado um guarda-redes de sub-10.

A ilha da Madeira tem um campo de recrutamento de atletas mais vasto do que a ilha de S. Miguel. São cerca de 25.800 pessoas a mais. Contudo não deixa de possibilitar um termo comparativo entre o futebol dos escalões de sub-12 e sub-13 (benjamins e infantis) das duas ilhas, o que não tem sido possível fazer pela ausência de jogos oficiais.
Depois de uma longa fase de interregno, quando as equipas de juniores, de juvenis e de iniciados ficaram divididas por séries diferentes nos campeonatos nacionais, reencontraram-se nesta época com a disputa dos famigerados torneios de apuramento à fase final dos escalões de juvenis e de iniciados.
O Juventude Lajense perdeu, por 1-0, com o Nacional, em juvenis, e o Santa Clara foi derrotado, por 2-1, pelo Nacional, em iniciados. Os jogos foram em campo neutro.
Aproveitando a presença do treinador do Marítimo da Madeira em Ponta Delgada, colocamo-lhe algumas perguntas, cujas respostas possibilitem ficarmos com uma ideia da realidade madeirense.
Pedro Henriques disse que em matéria de qualidade há uma diferença para melhor das equipas da Madeira, mas em termos competitivos o panorama não é muito diferente. A falta de jogos com mais intensidade exigindo maior rigor dos atletas em todas as componentes do jogo deixa ainda as equipas madeirenses distantes das continentais.
Teve a oportunidade de ver actuar algumas das melhores equipas de sub-13 da ilha de S. Miguel. Achou que há uma acentuada diferença para as melhores equipas da Madeira do mesmo escalão?
“Na minha sincera opinião estava à espera de mais alguma capacidade por parte das equipas da ilha de São Miguel. Penso que neste escalão a diferença entre as melhores equipas da ilha da Madeira e da ilha de São Miguel está um pouco distantes. Quero realçar principalmente a equipa do Clube Futebol Pauleta, que, na minha opinião, praticou o melhor futebol entre as equipas locais apresentadas.”
A qualidade que o Marítimo apresentou nos jogos reflete o momento da formação madeirense ou a equipa tem patenteado uma superioridade sem oposição nas provas locais?
“Infelizmente a nossa realidade na Região resume- se a duas equipas competitivas, sendo o Marítimo e o Nacional os dominadores no futebol regional. Penso que as equipas da Madeira têm jogadores com muita qualidade técnica e mental, mas devido à falta de competitividade não nos é permitido dar o salto de forma a poder competir com os melhores de Portugal.
”Ao que sei, esta equipa joga nas competições destinadas ao escalão acima (iniciados) e em futebol de onze. Não há competição de sub-13?
“Foi uma estratégia do clube permitindo que a equipa participe num escalão superior para tentar minimizar a falta de competitividade que existe na nossa Região. Existe o campeonato de sub-13, ao qual participamos aos sábados, e no escalão de iniciados aos domingos. Temos um plantel de 32 jogadores. No último treino dividimos os atletas consoante a dificuldade do jogo para todos terem minutos de competição, porque só jogando é que se pode evoluir.”
“Ilhas continuam discriminadas”
Com que opinião ficou do torneio Pauleta, quer em termos organizativos, quer em termos desportivos?
“O torneio do Pauleta é um torneio espectacular quer a nível organizativo quer a nível competitivo. Ficamos encantados com a receptividade, conforto, organização que permitiu aos nossos atletas terem as condições ideias para espelharem a magia por eles praticada. Sem dúvida que gostávamos de voltar a este grandioso torneio.”
O 4.º lugar alcançado pelo Marítimo sabe a alegria ou a dissabor por a equipa ter apresentado qualidade para ficar numa melhor posição?
“A nossa classificação no torneio tem um sabor agridoce, pois a nossa vontade e esperança é sempre de lutar pelos lugares cimeiros. Dado a nossa prestação no torneio tínhamos redefinido os objectivos e tínhamos como objectivo mínimo entrar no pódio. Não foi possível mas saímos satisfeitos porque sabemos que demos tudo o que estava ao nosso alcance e orgulhamos o clube e as pessoas que nos apoiam diariamente.”
Como sabe, esta época foi “inaugurada” uma fase intermédia para os campeões de juvenis e de iniciados das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, realizada em fase concentrada. Como reagiram os agentes desportivos madeirenses a mais esta discriminação?
“Foi uma medida ridícula em que mais uma vez os residentes das ilhas são descriminados. O princípio da continuidade territorial está a ser desprezado pelas entidades. Como residentes numa ilha estamos todos muito descontentes com esta situação.” JS

In ” Correio dos Açores ” 15-06-2017